InícioQualidade de Vida / Idosos Leitura: 10 min Atualizado: 23/09/2026 Conteúdo EducativoMariana Costa

Catarata e glaucoma: Importância do diagnóstico precoce em idosos

Após os 60 anos, catarata e glaucoma estão entre as principais causas de perda visual evitável no Brasil. O diagnóstico precoce — feito com exames oftalmológicos completos pelo menos uma vez ao ano —...

Idosa sorridente realizando exame oftalmológico com equipamento de fenda luminosa

Resumo em 30 segundos

Após os 60 anos, catarata e glaucoma estão entre as principais causas de perda visual evitável no Brasil. O diagnóstico precoce — feito com exames oftalmológicos completos pelo menos uma vez ao ano — permite tratar essas condições antes que causem dano irreversível. A maioria dos casos não dá sinais claros no início, por isso a consulta preventiva regular é indispensável.

Neste artigo:

Contexto

A visão envelhece junto com o corpo

Depois dos 60 anos, o olho humano passa por mudanças estruturais que não dependem de genética ruim nem de descuido. São transformações graduais, parte do envelhecimento normal — mas que, sem acompanhamento, podem escalar para perda visual severa ou até cegueira.

O cristalino, estrutura que foca a luz dentro do olho, vai perdendo transparência com o tempo. Esse processo é a catarata. Já o glaucoma é diferente: não afeta o cristalino, mas ataca o nervo óptico, geralmente por conta do aumento da pressão intraocular. São doenças distintas, com mecanismos distintos, mas compartilham uma característica perigosa — evoluem em silêncio.

Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a catarata é responsável por cerca de 50% dos casos de cegueira evitável no país. O glaucoma, por sua vez, já afeta mais de 1 milhão de brasileiros, e a maioria desconhece o diagnóstico. Esses números ganham peso quando se lembra que a perda de visão está diretamente associada a quedas, isolamento social e piora da qualidade de vida em pessoas idosas.

A boa notícia é que ambas as condições têm tratamento eficaz — desde que detectadas a tempo.

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Catarata e glaucoma: importância do diagnóstico precoce em idosos

Foto: Annie Spratt / Unsplash

Diagnóstico Rápido

Por que idosos são mais vulneráveis

O envelhecimento ocular é inevitável, mas alguns fatores aceleram ou agravam o processo. Entender o que está por trás dessas doenças ajuda a monitorar os riscos com mais atenção.

Catarata: o cristalino que perde clareza

O cristalino é formado principalmente por proteínas organizadas de forma precisa para manter a transparência. Com o passar dos anos, essas proteínas se degradam e se agrupam em grumos, criando opacidades. A lente fica turva, como olhar através de um vidro embaçado.

Além da idade, os fatores que aceleram a catarata incluem:

  • Exposição cumulativa à radiação ultravioleta (sol sem proteção)
  • Diabetes mellitus mal controlado
  • Uso prolongado de corticosteroides
  • Tabagismo
  • Histórico familiar

Glaucoma: pressão que destrói o nervo

O olho produz constantemente um líquido chamado humor aquoso, que circula e drena de forma contínua. Quando esse sistema de drenagem falha — seja por bloqueio, seja por produção excessiva — a pressão intraocular sobe. Pressão elevada comprime e danifica progressivamente o nervo óptico, responsável por transmitir as imagens ao cérebro.

O problema é que o campo visual periférico vai sendo consumido primeiro, e o cérebro compensa essa perda por um tempo. Quando a pessoa percebe algo errado, o dano já é significativo. Fatores de risco incluem:

  • Pressão intraocular elevada (acima de 21 mmHg)
  • Histórico familiar de glaucoma
  • Ascendência africana ou afro-brasileira (risco até quatro vezes maior)
  • Miopia elevada
  • Uso de colírios à base de corticoide sem supervisão
  • Doenças vasculares como hipertensão e diabetes

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Catarata e glaucoma: importância do diagnóstico precoce em idosos

Foto: JD Mason / Unsplash

Sinais de alerta que não devem ser ignorados

Nem sempre a doença avisa. Mas quando avisa, é importante reconhecer. Fique atento a esses sinais — em você ou em um familiar idoso:

Possíveis sinais de catarata:

  • Visão embaçada ou turva, como se houvesse névoa constante
  • Sensibilidade aumentada à luz e reflexos de faróis à noite
  • Dificuldade para ler ou enxergar detalhes finos
  • Cores que parecem mais amareladas ou desbotadas
  • Dupla visão em um dos olhos

Possíveis sinais de glaucoma:

  • Perda de visão lateral (periférica) — sutil no início
  • Halos coloridos ao redor de fontes de luz
  • Dor ocular intensa e súbita (característico do glaucoma agudo)
  • Visão embaçada com náusea (no caso do glaucoma de ângulo fechado)
  • Dificuldade para enxergar em ambientes com pouca luz

Atenção: a ausência de sintomas não significa ausência de doença. O glaucoma crônico, o tipo mais comum, raramente causa dor. A perda visual acontece de forma tão gradual que passa despercebida por anos.

Passo a passo

Exames recomendados após os 60 anos

A prevenção de glaucoma e catarata na velhice passa, antes de tudo, por uma consulta oftalmológica completa — não apenas a medição do grau para óculos. Há uma diferença grande entre a consulta em uma ótica e um exame oftalmológico realizado por médico especialista.

Frequência recomendada

Para pessoas acima de 60 anos sem fatores de risco específicos, o CBO recomenda pelo menos uma consulta oftalmológica anual. Para quem tem histórico familiar de glaucoma, diabetes ou pressão intraocular limítrofe, a frequência pode ser semestral, conforme orientação do médico.

O que deve ser avaliado na consulta completa:

  • Acuidade visual — o teste básico de leitura de letras em distâncias diferentes
  • Tonometria — medição da pressão intraocular; é o exame central para rastreio do glaucoma. Valores normais ficam abaixo de 21 mmHg
  • Biomicroscopia (lâmpada de fenda) — exame da parte anterior do olho, incluindo o cristalino; detecta opacidades iniciais da catarata
  • Fundoscopia (mapeamento de retina) — avaliação do nervo óptico e da retina com dilatação da pupila; fundamental para identificar danos iniciais do glaucoma
  • Campimetria computadorizada (campo visual) — mapeia a visão periférica; exame indispensável para monitorar o glaucoma
  • Paquimetria — mede a espessura da córnea, dado que influencia a interpretação da pressão intraocular
  • OCT (Tomografia de Coerência Óptica) — tecnologia que avalia a espessura das fibras do nervo óptico com alta precisão; disponível em clínicas especializadas e cada vez mais acessível pelo plano de saúde

No SUS, é possível?

Sim, ainda que com variação conforme o município. A tonometria e a fundoscopia estão disponíveis em muitas unidades básicas de saúde e ambulatórios de oftalmologia do SUS. O encaminhamento pode ser feito pelo clínico geral ou geriatra. Quem tem plano de saúde normalmente tem cobertura para a maioria desses procedimentos — vale confirmar com a operadora.

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Catarata e glaucoma: importância do diagnóstico precoce em idosos

Foto: CDC / Unsplash

Quem precisa ter atenção redobrada

Embora qualquer pessoa acima de 60 anos deva fazer acompanhamento regular, alguns perfis exigem monitoramento mais frequente e detalhado.

Prioridade máxima para avaliação oftalmológica:

  • Pessoas com diabetes tipo 2 — a retinopatia diabética é a principal causa de cegueira em adultos em idade produtiva, mas também afeta gravemente idosos; além disso, o diabetes acelera a formação de catarata
  • Quem tem familiar de primeiro grau com glaucoma (pais, irmãos) — o risco aumenta em até quatro vezes
  • Pessoas com hipertensão arterial não controlada, que pode comprometer a circulação ocular
  • Quem já usa colírios com corticosteroides sem prescrição — prática comum para tratar irritações oculares, mas que eleva a pressão intraocular com uso contínuo
  • Pessoas que trabalham ou trabalharam em ambientes com exposição intensa à luz solar sem proteção (agricultores, pescadores, trabalhadores de construção)
  • Idosos com histórico de trauma ocular ou cirurgias oculares anteriores

Para esse grupo, a consulta anual pode não ser suficiente. O oftalmologista é quem define a periodicidade ideal com base no perfil individual.

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Catarata e glaucoma: importância do diagnóstico precoce em idosos

Foto: Lucas George Wendt / Unsplash

Quando ir ao médico sem esperar a consulta agendada

Alguns sintomas oculares exigem atendimento imediato — não no próximo agendamento disponível, mas no pronto-socorro ou pronto-atendimento oftalmológico.

Procure atendimento urgente se houver:

  • Dor ocular intensa e súbita, especialmente acompanhada de náusea, vômito e visão embaçada — pode ser glaucoma agudo de ângulo fechado, uma emergência oftalmológica que pode causar cegueira em horas se não tratada
  • Perda repentina de visão em um ou ambos os olhos, mesmo que parcial e passageira
  • Aparecimento súbito de flashes de luz ou grande quantidade de moscas volantes (pontos ou fios escuros no campo visual) — pode indicar descolamento de retina
  • Olho vermelho intenso com visão turva sem causa aparente
  • Trauma ocular de qualquer tipo

Esses quadros não têm nada de banal. O tempo entre o sintoma e o atendimento pode definir se a visão será preservada ou não.

Tire suas dúvidas

Catarata tem como prevenir ou só tem tratamento cirúrgico?+

A formação da catarata relacionada à idade não tem como ser completamente evitada, mas é possível retardar sua progressão. Usar óculos de sol com bloqueio UV, controlar o diabetes, não fumar e evitar corticosteroides sem orientação médica são medidas que fazem diferença. Quando a catarata já está formada e afeta a qualidade de vida, o tratamento é cirúrgico — um procedimento rápido, com alta taxa de sucesso, chamado facoemulsificação. Colírios ou óculos não revertem a opacidade do cristalino.

Glaucoma tem cura? Precisa usar colírio para sempre?+

O glaucoma não tem cura, mas tem controle muito eficaz. O dano já causado ao nervo óptico é irreversível, mas é possível estabilizar a doença completamente e preservar a visão restante. O tratamento mais comum começa com colírios que reduzem a pressão intraocular, usados diariamente. Em casos que não respondem bem ao colírio, existem opções de laser (trabeculoplastia) e cirurgia (trabeculectomia). O uso contínuo do colírio é sim, na maioria dos casos, permanente — mas evita a progressão da perda visual.

O exame de tonometria — aquele sopro de ar no olho — é suficiente para diagnosticar glaucoma?+

Não. A tonometria mede a pressão intraocular, que é um fator de risco importante, mas não o único. Existem pessoas com pressão normal que desenvolvem glaucoma (glaucoma de pressão normal) e pessoas com pressão elevada que nunca desenvolvem a doença. O diagnóstico preciso exige a combinação de tonometria, avaliação do nervo óptico (fundoscopia), campimetria e, idealmente, OCT. Por isso uma consulta oftalmológica completa é muito mais informativa do que apenas medir a pressão.

A partir de que idade o rastreio para glaucoma e catarata deve começar?+

Para a população geral, o rastreio oftalmológico regular é recomendado a partir dos 40 anos, com frequência que varia conforme os fatores de risco. Depois dos 60 anos, a recomendação é de pelo menos uma consulta completa por ano. Para quem tem histórico familiar de glaucoma, a triagem deve começar antes — alguns especialistas recomendam a partir dos 35 anos para esse grupo.

Idoso que mora sozinho e enxerga mal tem mais risco de queda?+

Sim, e esse é um dos argumentos mais práticos para levar a saúde ocular a sério. Estudos associam déficit visual não corrigido em idosos ao aumento significativo do risco de quedas e fraturas — especialmente fratura de quadril, que tem mortalidade elevada nessa faixa etária. A visão embaçada prejudica a percepção de profundidade, dificulta a identificação de obstáculos e reduz o tempo de reação. Tratar a catarata ou ajustar a correção óptica pode, literalmente, salvar a vida de um idoso.

Ciência

  • Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Diretrizes para prevenção da cegueira e deficiência visual. Disponível em: https://www.cbo.net.br
  • Ministério da Saúde. Saúde ocular no Brasil: dados epidemiológicos e políticas públicas. Disponível em: https://www.saude.gov.br
  • Weinreb RN, Aung T, Medeiros FA. The pathophysiology and treatment of glaucoma: a review. JAMA. 2014;311(18):1901-1911.
  • Pascolini D, Mariotti SP. Global estimates of visual impairment: 2010. British Journal of Ophthalmology. 2012;96(5):614-618.
  • Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO). Guia de condutas em glaucoma. Disponível em: https://www.sboportal.org.br

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Sobre a autoria

Mariana Costa

Redatora principal — Nutrição e bem-estar

Nutricionista responsável pela autoria editorial dos artigos do Saúde em Foco.

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